Falta a cultura
Meu segundo artigo publicado na Folha de Boa Vista
A partir dos meus 23 anos, comecei a pensar no que eu poderia fazer para ter um mundo melhor. Hoje tenho 25 e essa pergunta me aflige diariamente. Não sei se todos pensam nisso, desconfio que não, mas o fato é que preciso descobrir algo. Eu já desejei muito ser extremamente talentosa na criação de textos, de modo que minhas palavras teriam o poder de convencer as pessoas a tentarem fazer também um mundo melhor.
Já desejei ter voz e talento para cantar e compor as canções mais lindas, ter o poder da retórica e até poderes sobrenaturais, tudo com o mesmo objetivo: o sonho de uma “evolução espiritual coletiva”. Mas a verdade é que não nasci com nenhum desses dons aflorados a ponto de mudar a cabeça das pessoas. Escrevo de forma mediana, não sei cantar, menos ainda compor, e até consigo falar bem em público, mas não tenho publico para falar. Quanto aos poderes naturais, sem comentários.
Achei que o fato de morar no menor estado brasileiro em população e economia iria dificultar ainda mais a minha determinação de fazer um mundo melhor, mas aí, lembrei certo dia de algo lido há uns 10 anos atrás, lá pelos meus 14 anos. Algum sábio pensador cujo nome não lembro dizia: “... Se queres mudar o mundo, então comece por dar uma volta ao redor de sua própria aldeia”. E percebi que se quero realmente fazer algo notório, que seja na minha pequena aldeia, o menor estado brasileiro em população e economia.
Mas, cheguei à conclusão de que para construir um lugar melhor pra se viver, é preciso primeiramente ter uma identidade cultural pra se amar. É preciso mostrar para as pessoas que aqui vivem, qual é a nossa identidade cultural, para que possamos deixar de viver a cultura de outros povos. É preciso e inevitável misturar o que vem de fora e o que já estava aqui, mas necessitamos filtrar o que é realmente nosso.
Para isso, uma necessidade básica é a criação de um órgão publico que seja promotor de políticas públicas que fortaleçam verdadeiramente a nossa cultura. Falo de mexer com o coração e cabeça dos cidadãos que aqui vivem. Um povo só é forte e respeitado, quando reconhece os seus costumes, quando se pode dizer: esse é o meu jeito de falar; essa é a minha comida; essa é a minha música; essas são as minhas festas; essa é a minha bebida; essa é a cara do meu estado. Tais noções deveriam ser inseridas em todas as classes sociais, independente de cor ou religião.
No entanto, o fato é que temos para cuidar da nossa cultura apenas uma Secretaria Estadual de Educação, Cultura, Desporto e Lazer. Ora, a própria educação já demanda problemas suficientes para fazer cair muitos fios de cabelo de um secretário e seus funcionários. Precisamos de uma secretaria de cultura. Não tê-la é adiar e anular a formação na nossa identidade cultural. E isso é um grave erro.
Escrito por Vanessa Brandão às 20h38
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